PALAVRA DE PASTOR



XVII Domingo do Tempo Comum
Ensina-nos a rezar!

28/07/2013
+ Dom Sergio da Rocha
Arcebispo de Brasília

O texto do Evangelho segundo Lucas, hoje proclamado, se inicia com uma afirmação fundamental para se compreender o que se passa a seguir: “Jesus estava rezando”. São muitas as situações em que Jesus reza, conforme narram os Evangelhos.  O exemplo de Jesus leva os discípulos a quererem aprender a rezar, segundo o pedido de um deles: “Senhor, ensina-nos a rezar” (Lc 11,1).
Em resposta, Jesus lhes ensina a oração que nós denominamos “Pai Nosso”. Contudo, junto com as palavras que ele nos ensina a dizer ao Pai, ele também ensina as atitudes que devem acompanhar a oração, especialmente, a confiança e a perseverança. Não se pode rezar o Pai Nosso de qualquer jeito, apenas repetindo palavras. É preciso rezar com o coração e atitudes de filhos. Filhos que confiam no Pai. Filhos que fazem a vontade do Pai. Filhos que permanecem fiéis ao Pai. Por isso, procuremos rezar, de coração, a oração que o Senhor nos ensinou, nas diversas situações da vida, em meio a alegrias ou dores.  Jesus se dirigiu ao “Pai” também na hora da paixão, no jardim das oliveiras e na própria cruz. Aquele que nos revelou em plenitude o rosto misericordioso do Pai nos ensinou a ter confiança nele e a permanecer na fidelidade.
Pela sua importância, o Pai Nosso, nos primeiros séculos, era confiado aos que se preparavam para o batismo somente no final de sua preparação. Quem o recebia, zelava bastante pelas palavras e pelo modo de rezar, exclamando “Pai”, ao sair das águas do batismo, não apenas com os lábios, mas com o coração e a vida.
É importante recordar sempre que foi de Jesus que nós recebemos esta belíssima oração, através da Igreja. Por meio do Pai Nosso, manifestamos a graça de pertencer à família dos filhos de Deus, reconhecendo-o como Pai e, ao mesmo tempo, aceitando os outros como irmãos. Pelo batismo, ingressamos na Igreja e passamos a chamar a Deus como Pai nosso. Por isso, é preciso revalorizar o batismo. Na segunda leitura, a Carta de São Paulo aos Colossenses fala do batismo como a nossa participação na morte e ressurreição de Cristo, como passagem da morte do pecado à vida em Cristo, graças à sua vitória pascal.
 Pelo batismo, participamos da grande família que tem a alegria de receber a visita do Papa Francisco ao Brasil, que se encontra no Rio de Janeiro, participando da Jornada Mundial da Juventude. Por isso, nos unimos, ainda mais, a ele, assim como aos jovens do mundo todo que lá estão, por meio da oração confiante ao Pai. Pela graça de Deus, seja este um tempo especial de oração e de comunhão na Igreja, de fortalecimento da fé e de evangelização da Juventude. 

XVI Domingo do Tempo Comum
Marta e Maria

21/07/2013
+ Dom Sergio da Rocha
Arcebispo de Brasília

O Evangelho segundo S. Lucas narra a visita que Jesus fez à casa de Marta e Maria. Ambas acolhem Jesus, embora de diferentes modos. A dona da casa, Marta, recebeu Jesus ocupando-se dos afazeres da casa. Sendo ela quem recebeu Jesus em sua casa (Lc 10,38), pode-se deduzir que ela agia assim em vista da visita que estava recebendo, isto é, para acolher bem a Jesus, pois não haveria sentido recebê-lo e depois não lhe dar a devida atenção. Jesus não censura Marta por estar trabalhando, mas por “andar agitada por muitas coisas”. Vivemos numa época em que as pessoas andam demais preocupadas e agitadas por muitas coisas. Por isso, perdem a paz e a alegria de viver. Não se pode viver assim!
Maria, irmã de Marta, recebe Jesus de outro modo: “sentou-se aos pés do Senhor e escutava a sua palavra”. O que Maria estava fazendo era muito importante e sempre muito necessário na vida cristã. Hoje, é preciso repetir o seu gesto: colocar-se diante do Senhor, para escutar a sua palavra e conversar com ele.  Contudo, Marta achou que sua irmã estava errada, agindo daquele modo. Ela chegou a questionar Jesus, dizendo: “Senhor, não te importas que minha irmã me deixe sozinha com tanto serviço?”, acrescentando, “manda que ela me venha ajudar!”. Em resposta, Jesus vai dizer a Marta que Maria estava certa, pois o que ela estava fazendo era muito necessário e não lhe podia ser negado.
Marta e Maria representam duas dimensões da vida dos discípulos de Cristo: o trabalho e a oração. Ambas são importantes! Por meio do trabalho cotidiano, o cristão pode unir-se a Jesus e glorificá-lo. Necessitamos de gente disposta a atuar nas pastorais e movimentos eclesiais, assumindo a nova evangelização, com dedicação. Necessitamos de cristãos atuantes na sociedade. Necessitamos de Marta! Contudo, sem a oração e a escuta da palavra de Deus, corre-se o risco de perder-se em meio às preocupações, agitado por muitas coisas. É preciso imitar Maria para poder cumprir bem as nossas tarefas e superar os desafios da vida. É preciso unir-se a Jesus pela oração para continuar unido a ele em meio às atividades do dia a dia. Assim sendo, esta passagem nos faz pensar no modo como estamos trabalhando e na maneira como estamos rezando. Qual é o tempo que temos dedicado à oração pessoal, em família ou em comunidade? Qual a importância que temos dado à leitura e meditação da Palavra de Deus, a adoração ao Santíssimo Sacramento e a participação nas missas? É preciso refazer a experiência de Maria de colocar-se aos pés do Senhor para escutá-lo. Em resposta ao Evangelho meditado, não bastam boas intenções, embora seja um bom começo querer sinceramente melhorar. É preciso organizar a nossa vida e o nosso tempo para poder rezar mais e melhor.    

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Por: Paulo Roberto Melo

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