Papa sinaliza ao mundo as mudanças que promoverá na Igreja Católica

Uma semana no Brasil e o papa Francisco conseguiu se consolidar como um líder de ruptura que projeta para o mundo uma Igreja Católica fora da clausura, misturada ao povo e pautada pelo compromisso social com os mais pobres.

É assim que ele deixa o país. Maior e fortalecido para realizar a tão esperada reforma. Para teólogos ouvidos pelo Correio, só agora percebe-se o sentido do pontificado de Francisco. Ele não mencionou o termo Teologia da Libertação, mas mandou o recado ao resto do mundo que caminhará nessa direção a partir do que praticou durante a semana.

Os gestos de inclusão e o apelo ao diálogo permanente, tônica dos discursos realizados no Brasil, reacendem a ala mais progressista do catolicismo e reforçam a mudança na postura em relação ao pontificado de Bento XVI.

O professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) Fernando Altemeyer Júnior diz que o papa “encheu o tanque” no Brasil. “Ele deixa o país com as baterias recarregadas após o contato com as massas. Francisco sai bem maior e com capacidade para realizar as verdadeiras mudanças na Igreja. Diz ao mundo que vai fazer uma cúria mais leve e objetiva. Essa é a meta. Se isso não acontecer, pode-se decretar o funeral da Igreja Católica. É questão de vida ou morte”, avalia o teólogo.

Para Altemeyer, a visita do pontífice não teve o objetivo de recuperar o terreno perdido para os evangélicos. “Não houve nenhuma preocupação com isso. O papa está preocupado em ressuscitar os defuntos católicos. O problema é o católico que morreu sem agir na sua fé. É esse o recado. O vocabulário dele é todo da Teologia da Libertação. Ele não usa o termo, mas vestiu a camisa e está jogando no time”, afirmou.
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Por: Paulo Roberto Melo

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