PALAVRA DE PASTOR

XIX Domingo do Tempo Comum

Servo Fiel e Prudente

11/08/2013
+ Dom Sergio da Rocha
    Arcebispo de Brasília


A Liturgia da Palavra nos convida a atitude de vigilância, mostrando-nos o seu sentido e o que fazer para concretizá-la. Por que estar vigilantes? Por que estar "com os rins cingidos e as lâmpadas acesas" (Lc 12,38)? É preciso estar bem preparados para o encontro com o Senhor, a qualquer hora em que ele vier. Somos administradores dos seus bens. Ele espera que o administrador seja "fiel e prudente". A expressão "rins cingidos" faz pensar em alguém preparado para uma viagem ou para a luta, sendo, portanto, sinal  de prontidão e de vigilância. Todos recebemos de Deus muitos bens ou dons para serem administrados com responsabilidade. 

A última frase do texto do Evangelho proclamado se dirige a todos, mas principalmente a quem recebeu mais; portanto, se destina a toda a comunidade, especialmente, aos seus dirigentes. "A quem muito foi dado, muito será pedido;  a quem muito foi confiado, muito mais será exigido" (Lc 12,48). Neste dia em que rezamos, com especial afeto e gratidão, pelos pais, o Evangelho oferece ocasião privilegiada para os pais refletirem sobre como estão administrando a casa que o Senhor lhes confiou. Feliz aquele que o Senhor encontrar vigilante, administrando a sua casa de modo fiel e prudente.

Entretanto, a vigilância não pode ser confundida com o medo. Não é com o medo que nos preparamos para encontrar o Senhor. Para viver de modo justo a vigilância proposta, é importante considerar aquilo que a Palavra anunciada nos indica. Em primeiro lugar, a confiança, ao invés do medo. "Não tenha medo, pequeno rebanho" (Lc 12,32) são as primeiras palavras de Jesus, no texto proclamado. A confiança não deve ser colocada nos bens materiais. Ao contrário, Jesus propõe o despojamento e a busca do verdadeiro tesouro que se encontra em Deus. Por isso, trata-se da confiança que brota da fé em Deus, da segurança em relação ao amanhã que se alimenta da fé em Deus. 

Servo vigilante não é servo medroso ou acomodado; é servo dedicado e responsável que vive da fé, da confiança e da esperança em Deus. A Carta aos Hebreus nos recorda de Abraão e Sara como modelos de fé, destacando a relação entre a fé e a esperança. No trecho proclamado, encontra-se uma das mais belas definições de fé:  "a fé é um modo de já possuir o que ainda se espera, a convicção acerca de realidades que não se veem" (Hb 11,1).

Por fim, é importante ter presente outras duas atitudes que nos ajudam a viver bem a vigilância, conforme a primeira leitura (Sab 18,6-9). O livro da Sabedoria, ao recordar a noite do êxodo, em que o povo saiu do Egito, nos faz pensar na importância da oração, ao referir-se aos sacrifícios oferecidos a Deus naquela ocasião, e nos motiva a viver a solidariedade "nos bens e nos perigos". A fé cresce e se fortalece pela oração. Contudo, ninguém a vive de modo isolado, mas em comunidade. Daí, a importância de caminhar juntos, de rezar juntos, de conviver fraternalmente, de ser solidário, ajudando-nos mutuamente a viver a vigilância. Procuremos viver melhor em nossa casa e na comunidade!
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Por: Sistema Blogger Brasília de Comunicação

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