PALAVRA DE PASTOR

22º Domingo do Tempo Comum

Humildade e Gratuidade

01/09/2013


+ Dom Sergio da Rocha
    Arcebispo de Brasília


A mensagem do Evangelho anunciado pode ser resumida em duas palavras que devem nortear a vida dos discípulos de Cristo: humildade e gratuidade. A parábola do banquete se conclui com um convite à humildade e um alerta para os que escolhem os primeiros lugares: “quem se eleva, será humilhado e quem se humilha será exaltado” (Lc 14,11). Para se entender bem esta afirmação e compreender o sentido da verdadeira humildade, é preciso olhar para o próprio Cristo que se apresentou como “manso e humilde de coração”. Dentre outras passagens, podemos destacar o gesto de Jesus que se abaixou para lavar os pés dos discípulos, comportando-se como “aquele que serve”, e o seu gesto supremo de doação da própria vida na cruz. A humildade não se reduz a um bonito sentimento, mas se expressa de modo concreto em atitudes como o desapego de si mesmo, o abaixar-se para servir e doar-se pelo próximo, sem vangloriar-se ou buscar vantagens. Esta atitude torna-se cada vez mais importante no mundo de hoje, pois se difunde cada vez mais a tendência em querer ser mais do que os outros, menosprezando e humilhando o próximo. É preciso ser humilde para não humilhar. Quem se faz humilde, como Jesus, jamais humilhará os outros, pois a humildade cristã é acompanhada de uma justa autoestima e do amor ao próximo.
A segunda parte do Evangelho proclamado se refere a gratuidade. O convite para o banquete, dirigido àqueles que não têm como retribuir, é sinal da gratuidade a ser vivida, hoje, pelos cristãos num mundo marcado pela lógica da recompensa imediata e pelo interesse próprio. É preciso amar e servir aqueles que não podem retribuir o bem que fazemos. A gratuidade é um traço genuíno do amor cristão, pois os discípulos de Cristo são chamados a amar de graça, a amar antes de ser amado e a amar mais do que ser amado. Quem vive assim é feliz. “Então tu serás feliz!”, afirma Jesus (Lc 14,14). Jesus conclui afirmando que a recompensa será recebida na ressurreição dos justos. Deus nos recompensará pelo bem que tivermos praticado, especialmente, por aquilo que não recebemos a recompensa neste mundo. Por isso, ao invés de cobrar dos outros o reconhecimento ou a retribuição, façamos a experiência de amar e servir de graça, como sinal de amor gratuito, como é o amor de Deus por nós. A gratuidade, assim entendida, pressupõe a humildade.
Neste início do mês dedicado especialmente à Bíblia, vamos assumir o compromisso de ler, meditar e acolher a Palavra de Deus em nossa vida cotidiana, numa atitude de escuta atenta e de cumprimento fiel, pois ela é “Palavra da Salvação”! Organize o seu tempo para poder fazer a leitura orante da Bíblia!

XXI Domingo do Tempo Comum

Quem se salva?

25/08/2013


+ Dom Sergio da Rocha
    Arcebispo de Brasília


Continuamos com Jesus e os apóstolos a percorrer o caminho para Jerusalém, conforme o início do Evangelho proclamado (Lc 13,22). S. Lucas continua a narrar a longa viagem de Jesus para Jerusalém, onde ele consumará a sua missão. A passagem de hoje apresenta a resposta de Jesus a uma curiosa pergunta feita por alguém: “Senhor, é verdade que são poucos os que se salvam?” (Lc 13,23).
Ao invés de responder à curiosidade sobre “quantos” se salvam, Jesus mostra como viver para entrar no Reino, destacando a universalidade da salvação e as suas exigências. A resposta ocorre em dois momentos principais. No final do texto, ao afirmar que “virão homens do oriente e do ocidente, do norte e do sul, e tomarão lugar à mesa do reino de Deus”. Todos são chamados a serem salvos. Não basta pertencer a determinado povo, grupo ou instituição para assegurar-se da salvação, pois “há últimos que serão primeiros e primeiros que serão últimos” (Lc 13,30).
No contexto do Evangelho de hoje, a palavra dirigida por Jesus pode ser aplicada primeiramente aos membros do povo eleito, questionando, especialmente, os fariseus que tinham visão exclusivista da salvação, restringindo-a aos membros do seu povo. Contudo, a afirmação de Jesus interpela também os seus discípulos, ao se referir àqueles que comeram e beberam com ele, mas não praticaram a justiça do Reino.
A salvação é dom de Deus ofertado a todos. Não se baseia em privilégios ou exclusivismo. Em Jesus Cristo, se realiza plenamente aquilo que anunciava o profeta Isaías, conforme a primeira leitura: “virei para reunir todos os povos e línguas; eles virão e verão minha glória” (Is 66,18).
Ao mesmo tempo, aos quem o acompanhavam, Jesus indicou o caminho da “porta estreita” para entrar no Reino. Os que estavam ouvindo e vendo Jesus não poderiam se acomodar ou simplesmente alegar isso para serem salvos. Por isso, ele adverte: “fazei todo esforço possível para entrar pela porta estreita” (Lc 13,24). A porta estreita não significa que a vida cristã seja penosa ou triste.  Através dela, se experimenta a alegria e a beleza da vida cristã, que não é vida fácil, mas exige esforço pessoal, fidelidade, vivência da justiça e santidade. Para isso, como verdadeiro Pai que ama seus filhos, Deus nos educa e corrige, conforme a Carta aos Hebreus (Hb 12,5), animando-nos a caminhar sempre sem desanimar e acertando os nossos passos.
Neste Dia Nacional do Catequista, com profunda gratidão, bendizemos a Deus e suplicamos as suas bênçãos para todos os que se dedicam à Catequese.

Solenidade da Assunção

Assunção de Nossa Senhora

18/08/2013

+ Dom Sergio da Rocha
    Arcebispo de Brasília
 
Para celebrar bem esta solenidade, é importante considerar atentamente a Palavra de Deus proclamada e o ensinamento da Igreja a respeito da Assunção de Nossa Senhora. O Catecismo da Igreja Católica nos recorda que “a Assunção da Virgem Maria é uma participação singular na Ressurreição de seu Filho e uma antecipação da ressurreição dos outros cristãos” (n. 966).  Na Primeira Carta aos Coríntios, São Paulo proclama que “Cristo Ressuscitou dos mortos como primícias dos que morreram” (1Cor 15,20), mencionando, a seguir, aqueles que “pertencem a Cristo”, como Maria, destinados a participar da sua vitória sobre a morte. A solenidade que celebramos decorre da nossa fé na ressurreição do Senhor e fortalece a nossa esperança de participar da vitória de Cristo, da qual Nossa Senhora assunta ao céu participa de modo singular.    Além disso, a Assunção de Nossa Senhora está relacionada essencialmente à sua Imaculada Conceição, como afirmou o Papa Pio XII, em 1950, ao proclamar o dogma da Assunção: “A Imaculada Virgem Maria, preservada imune de toda mancha da culpa original, terminado o curso da vida terrena, foi assunta em corpo e alma à glória celeste”.
 
Ao celebrar esta solenidade, somos convidados a imitar Nossa Senhora, modelo de oração e de caridade, conforme o Evangelho anunciado (Lc 1,39-56). Na visita a Isabel, o “sim” de Maria, a “serva do Senhor”, se prolonga pela caridade testemunhada através do serviço humilde e generoso.  A “serva do Senhor” se faz servidora de Isabel. O Evangelho ressalta a disponibilidade e a generosidade de Maria em servir, ao mencionar que ela se dirigia dirigiu “apressadamente” à casa de Isabel e com ela permaneceu “três meses”. A atitude de serviço humilde e caridoso de Nossa Senhora se completa com a sua belíssima oração exaltando a misericórdia de Deus, que “se estende de geração em geração”, na sua vida e na vida de “todos os que o respeitam”. A Assunção é sinal do cumprimento daquilo que afirma Maria em sua oração: “o Todo-poderoso fez grandes coisas em meu favor”; Ele “derrubou do trono os poderosos e elevou os humildes”. Para participar da glória de Cristo é preciso percorrer o caminho da doação generosa e do serviço humilde, sustentados pelo amor misericordioso de Deus.
 
Neste domingo do Mês Vocacional, concluímos a Semana da Família e nos recordamos, especialmente, da vocação à vida consagrada. Aos irmãos e irmãs na vida consagrada, a nossa profunda gratidão e as nossas preces, para que a exemplo de Maria Assunta ao céu, sejam portadores da esperança e da caridade de Cristo.  
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Por: Sistema Blogger Brasília de Comunicação

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