PALAVRA DE PASTOR

XXIV Domingo do Tempo Comum

Parábolas da Misericórdia

15/09/2013
+ Dom Sergio da Rocha
Arcebispo de Brasília

O belíssimo capítulo 15 do Evangelho segundo S. Lucas narra as parábolas da misericórdia. É importante considerar o que S. Lucas declara no início: “os fariseus e os mestres da Lei criticavam Jesus” porque ele acolhia os pecadores e fazia refeição com eles. Em resposta, Jesus conta três parábolas: a ovelha perdida, a mulher que encontra a moeda perdida e a célebre parábola conhecida como “filho pródigo”, mas que pode ser melhor denominada como a parábola do “pai misericordioso”. A mensagem pode ser resumida em três pontos.

1º ) A misericórdia de Deus para com os pecadores, ressaltada por Jesus. Deus é o Pai misericordioso com o coração e os braços sempre abertos para acolher o filho que erra e quer retornar à casa. Deus é o Pastor que não desiste de encontrar a ovelha perdida.

2º ) A alegria de encontrar o que estava perdido, enfatizada  nas três parábolas, pelo clima de festa que se segue ao reencontro.

3º) A recusa em admitir o perdão do Pai ao irmão que estava perdido e de se alegrar com a volta dele. A parábola do Pai misericordioso nos faz pensar no modo como tratamos o irmão que erra. A recusa do filho mais velho em aceitar o irmão retrata bem a atitude dos fariseus, muito diferente do modo misericordioso de agir de Jesus e do Pai. Somos convidados a sermos misericordiosos para com os irmãos que erram e a promover sempre a reconciliação.

Além disso, estas parábolas nos convidam também a reconhecer a própria condição de ovelha perdida ou de filho pródigo. É preciso confiar na misericórdia divina, caminhar com confiança rumo à casa do Pai misericordioso, que vem ao nosso encontro com os braços abertos, alegrando-se conosco. Possamos fazer a experiência da misericórdia de Deus, ao rezar o Salmo 50, conforme o refrão proposto na liturgia da missa: “Vou agora levantar-me; volto à casa do meu pai”.

perspectiva da misericórdia encontra-se destacada também na primeira e na segunda leitura. São Paulo louva a Deus testemunhando a misericórdia divina em sua vida e missão. No trecho proclamado da carta a Timóteo, ele afirma duas vezes: “encontrei misericórdia” (1Tm 1,13.16). O Apóstolo  proclama que “Cristo veio ao mundo para salvar os pecadores” e, humildemente, reconhece ser “o primeiro deles”.  O Livro do Êxodo também testemunha a misericórdia de Deus na vida do seu povo. A misericórdia de Deus não se manifesta apenas na vida pessoal, mas também na vida familiar e comunitária.  


XXIII Domingo do Tempo Comum

Como ser Discípulos

08/09/2013

+ Dom Sergio da Rocha
Arcebispo de Brasília


Neste mês dedicado especialmente à Bíblia, sejamos mais atentos em escutar e praticar a Palavra de Deus. O Evangelho (Lc 14,25-33) nos apresenta as condições para ser discípulo propostas por Jesus aos que o seguiam no caminho para Jerusalém. A expressão “não pode ser meu discípulo” aparece três vezes no relato de São Lucas. Não pode ser discípulo de Jesus, isto é, não pode seguir os seus passos, quem não for capaz de aceitar as renúncias e de carregar a cruz. É importante recordar-se que Jesus está caminhando para a paixão e a morte na cruz, em Jerusalém. O discípulo deve estar pronto para subir o calvário com Cristo e permanecer com ele na hora da cruz. Por isso, não basta deixar os pecados. É preciso renunciar também a coisas boas para poder seguir a Jesus e dar prioridade ao Reino de Deus. O Evangelho menciona o desapego à família e à própria vida e a renúncia os bens materiais. O discípulo dever estar preparado e disposto a tais renúncias ainda que elas não venham a ocorrer sempre de modo total. Isso que pode parecer demais para o mundo de hoje ocorre frequentemente na vida cristã. Por exemplo, para alguém participar da missa, atuar em alguma pastoral ou visitar um doente, será necessário fazer alguma renúncia que envolve a família, a própria vida ou os bens que possui. Quem quiser viver para si ou unicamente para a família ou o trabalho, não terá tempo, nem disposição para estar com Cristo e com os irmãos. Por isso, é preciso levar a sério as consequências da opção por seguir a Cristo, pensar bem no que se está fazendo e perseverar no discipulado, conforme nos sugerem as imagens do construtor imprudente e do rei diante da batalha, utilizadas por Jesus no trecho meditado. Naquele tempo, assim como ocorre hoje, muita gente não tinha consciência da seriedade de ser discípulo, vivendo mais ou menos o Evangelho, sem dar a devida prioridade ao seguimento de Cristo.
Entretanto, qual é o homem que pode conhecer a vontade de Deus? (Sb 9,13). A esta pergunta, o próprio livro da Sabedoria, na Primeira Leitura, nos responde mostrando que isso somente é possível pela Sabedoria que Deus nos concede e pelo Santo Espírito que ele nos envia (Sab 9,17).   
Com a sabedoria divina, podemos discernir retamente o valor dos bens deste mundo e perseverar no discipulado. Com ela, podemos tratar as pessoas com verdadeiro amor, acolhendo o próximo como “irmão querido” e não como “escravo”, conforme a expressão empregada por S. Paulo na Carta dirigida a Filemon, pedindo a ele que recebesse Onésimo “como pessoa humana e irmão no Senhor”. Sejamos reconhecidos, hoje, como discípulos pela vivência do mandamento do amor, assumindo as renúncias que se fizerem necessárias para tratar a todos como “irmãos queridos”, em Cristo!             
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Por: Sistema Blogger Brasília de Comunicação

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