PALAVRA DE PASTOR

XXVI Domingo do Tempo Comum

Como tratamos Lázaro?

29/09/2013
+ Dom Sergio da Rocha
Arcebispo de Brasília
  
A Liturgia da Palavra continua a nos interpelar a respeito da nossa relação com os bens materiais, levando-nos a pensar como administramos, utilizamos e partilhamos os bens deste mundo, perante Lázaro.  A parábola narrada por São Lucas (Lc 16,19-31) nos apresenta dois personagens: um homem rico que vivia luxuosamente, em meio a festas, e um pobre chamado Lázaro que estava doente e com fome, sem conseguir nada da mesa do rico. Após a morte, enquanto o rico foi condenado, Lázaro foi “levado pelos anjos junto de Abraão” (Lc 16,22), isto é, mereceu um lugar de honra no banquete do Reino, juntando-se aos patriarcas e profetas. O rico não ouviu a Palavra de Deus anunciada por Moisés e os Profetas (Lc 16,31); não teve compaixão de Lázaro que estava a sua porta, morrendo aos poucos. Dentre esses profetas, está Amós, que denunciou os que viviam no luxo e não se preocupavam com os sofrimentos dos pobres, conforme o texto proclamado na primeira leitura. A parábola se conclui com a referência aos cinco irmãos que permaneciam neste mundo e que necessitavam ser advertidos para mudar de atitude a fim de não terem o triste fim daquele homem rico. Como fazer isso? “Ele têm Moisés e os Profetas, que os escutem!” (Lc 16,9), é a resposta dada.
  
Por isso, à luz da Palavra de Deus, é preciso refletir sobre a nossa conduta diante dos bens materiais e perante Lázaro, que representa os que sofrem com a miséria.  Como tratamos Lázaro? No mundo de hoje, necessitamos da simplicidade de vida, ao invés do luxo e do consumismo; necessitamos da partilha e da justiça social, ao invés da acumulação egoísta de bens; necessitamos de compaixão e solidariedade, ao invés da indiferença diante dos sofrimentos dos irmãos. Os discípulos de Cristo devem testemunhar o amor ao próximo em ações concretas de compaixão e partilha.
  
Entretanto, devemos ser cristãos por inteiro. A atitude justa diante dos bens materiais não acontece isoladamente; depende do modo como vivemos o Evangelho. Trata-se de um fruto de uma vida de “homem de Deus”. São Paulo, escrevendo a Timóteo (1Tm 6,11-16), traça um retrato do “homem de Deus” que cada discípulo de Cristo é chamado a ser. Dentre os seus traços, estão a fé, o amor, a firmeza, a mansidão, a justiça e a piedade. O texto se conclui com um belo hino litúrgico apresentando Deus como o verdadeiro soberano, em contraste com os falsos deuses e com os títulos atribuídos aos reis e senhores deste mundo.
  
Neste Dia Nacional da Bíblia, escutemos mais atentamente a Palavra de Deus, recebendo-a como “Palavra da Salvação” e procurando discernir o que Deus quer de nós.
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Por: Sistema Blogger Brasília de Comunicação

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