Palavra de Pastor

XXXII Domingo Do Tempo Comum

Deus dos Vivos

10/11/2013
+ Dom Sergio da Rocha
Arcebispo de Brasília
Ao rezar o Credo nós afirmamos que cremos na “ressurreição da carne e na vida eterna”. A fé na ressurreição de Jesus e na ressurreição dos mortos ocupa lugar central na vida cristã.   A Liturgia da Palavra deste 32º Domingo do Tempo Comum, especialmente o Evangelho proclamado, nos ajuda a refletir sobre a ressurreição.
Os saduceus eram um grupo religioso que negava a ressurreição dos mortos. A pergunta que fazem a Jesus mostra que eles estavam entendendo a ressurreição apenas como um prolongamento da vida terrestre. Como os saduceus tinham se referido a Moisés, Jesus lhes responde recorrendo a passagem do Êxodo que trata da sarça ardente, dando a entender que a fé na ressurreição já se encontrava implícita no Antigo Testamento e concluindo que “Deus não é Deus dos mortos, mas dos vivos, pois todos vivem para ele” (Lc 20,38).
A Bíblia não pretende explicar como será a vida eterna, como muita gente gostaria, especialmente num tempo em que se quer explicar e provar tudo racionalmente. A ressurreição é mistério a ser acolhido e vivido na fé. A Sagrada Escritura proclama a fé no Deus da vida, a fé em Cristo ressuscitado e, consequentemente, a fé na ressurreição da carne. Embora a plenitude da Revelação divina seja Jesus Cristo, a bela passagem do livro dos Macabeus, proclamada na primeira leitura, já testemunhava a fé na ressurreição. Num tempo de dura perseguição religiosa, os irmãos macabeus dão testemunho de fidelidade e, ao mesmo tempo, de fé na vida eterna. “O Rei do universo nos ressuscitará para uma vida eterna,” afirma um dos sete irmãos condenados à morte por causa da sua fé (2Mc 7,9). Os justos preferem morrer que renegar a fé. Deus tem misericórdia dos que permanecem fiéis, dando-lhes a vida eterna, conforme afirma um deles ao rei que os condenava: “Prefiro ser morto pelos homens tendo em vista a esperança dada por Deus que um dia nos ressuscitará. Para ti, porém, ó rei, não haverá ressurreição para a vida” (2Mc 7,14).
 Na segunda Carta aos Tessalonicenses, Sâo Paulo também se refere à “consolação eterna e a feliz esperança” (2Ts 2,16), que Deus nos oferece, exortando a comunidade a permanecer fiel e a rezar sempre. Nós também vivemos da esperança em Deus. Diante dos desafios da vida e perante a própria morte, devemos permanecer firmes na fé, que nos anima a caminhar sempre, sem desanimar, e nos traz a esperança de alcançar a vitória com Cristo Ressuscitado.
Que a celebração do mistério pascal, na Eucaristia, nos anime a viver sempre da fé em Jesus Cristo ressuscitado e da esperança na ressurreição!

Solenidade de Todos Os Santos

Felizes os Santos

03/11/2013
+ Dom Sergio da Rocha
Arcebispo de Brasília
A celebração de Todos os Santos, pela sua importância e para que todos possam participar da Eucaristia, é transferida, no Brasil, para o domingo seguinte ao dia primeiro de novembro, quando este ocorrer em dia da semana. Os santos são nossos intercessores e modelos de vida cristã. Eles não ocupam o lugar de Jesus; ao contrário, eles nos conduzem a Cristo. Pela intercessão e méritos dos santos, nossas preces chegam a Jesus Cristo e por meio dos seus exemplos, somos motivados a segui-lo fielmente. A Liturgia da Palavra desta solenidade nos mostra quem são os santos e o que devemos fazer para viver na santidade.
O livro do Apocalipse se refere a uma “multidão imensa de gente de todas as nações, tribos, povos e línguas, que ninguém podia contar”, pois a salvação em Cristo e a santidade são para todos. Eles “estavam de pé” diante do Cordeiro, “trajavam vestes brancas e traziam palmas na mão” (Ap 7,9).  Nas imagens dos santos mártires, encontramos sempre uma palma na mão, recordando a palma do martírio, do testemunho, da fidelidade até a morte, palma da vitória conquistada por Cristo. Os santos são testemunhas e exemplos de fidelidade a Cristo na vida cotidiana e nas grandes ocasiões. Acima de tudo, “vieram da grande tribulação” e permaneceram fiéis. Contudo, não são santos por conta própria; são santificados por Deus. Eles são santos porque foram redimidos por Cristo: “lavaram e alvejaram as suas roupas no sangue do Cordeiro” (Ap 7,14). A santidade será sempre dom de Deus e por isso, será sempre vivida pela graça de Deus.
O Evangelho nos apresenta a belíssima passagem das Bem-aventuranças, recordando-nos, hoje, que os santos são “bem-aventurados”, isto é, “felizes” (Mt 5,1-12). Eles não foram pessoas tristes ou infelizes neste mundo, embora tenham passado por provações, abraçando a cruz de cada dia. São santos e felizes os que vivem as bem-aventuranças: os pobres em espírito, os mansos, os misericordiosos, os puros de coração, os aflitos consolados por Deus, os que têm fome e sede de justiça, os perseguidos por causa da justiça. Este é o caminho da santidade proposto por Jesus. Somos todos chamados a ser santos, trilhando o caminho das bem-aventuranças e, deste modo, experimentando a felicidade verdadeira e duradoura que vem de Deus.
Com a primeira carta de S. João, reconhecemos que o Pai nos deu um “grande presente: de sermos chamados filhos de Deus! E nós o somos!” (1Jo 3,1). Os santos, purificados por Cristo, se comportam como verdadeiros filhos de Deus e, por isso, como irmãos. Felizes os santos! Sejamos santos!

 

 

XXX Domingo do Tempo Comum

O Fariseu e o Publicano

27/10/2013
+ Dom Sergio da Rocha
Arcebispo de Brasília
No último domingo, o Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas nos convidava a “rezar sempre e nunca desistir” (Lc 18,1). Hoje, continuamos a refletir sobre como rezamos, escutando a parábola contada por Jesus para os que “confiavam na sua própria justiça e desprezavam os outros” (Lc 18,9). Jesus fala de dois homens que foram ao templo para orar. Um pertencia ao grupo religioso dos fariseus. Eles procuravam cumprir rigorosamente os preceitos da Lei e, por isso, se achavam superiores aos demais nos campos moral e religioso. O outro era um cobrador de impostos, também denominado “publicano”. Os cobradores de impostos tinham fama de desonestos; eram detestados pelo povo, como colaboradores do Império Romano, pois estavam ao seu serviço, e também eram considerados impuros pelos fariseus. Aqueles dois homens rezavam de modo muito diferente um do outro. O fariseu se julgava justo, merecedor da salvação, achando-se superior ao outro. O publicano, ao contrário, suplicava humildemente a misericórdia de Deus, dizendo: “meu Deus, tem piedade de mim, que sou pecador” (Lc 18, 14).
Na verdade, muitas vezes, somos como aqueles dois homens. Somos pecadores como o publicano, porém, muitas vezes, nos julgamos justos como o fariseu.     O erro do fariseu foi achar que as suas boas obras fossem a causa da sua justificação. Ele faz a lista dos seus méritos. Quando sinceras e vividas na humildade, as nossas boas obras são a nossa resposta ao amor de Deus e a nossa acolhida da salvação como dom gratuito de Deus. O empenho pessoal na obra da salvação é resposta, consequência, pois somos salvos por Cristo. O fariseu se achava tão bom que não precisava da salvação em Cristo. O pecador que se reconhece como tal, como fez o publicano, acolhe a salvação, pois Jesus veio para chamar os pecadores (cf Lc 5,32). Isto exige, além da fé, a humildade diante de Deus e do próximo. A importância da humildade é tão grande que a parábola se conclui com uma séria advertência: “quem se eleva será humilhado e quem se humilha será elevado” (Lc 18,14).
Concluímos, hoje, a leitura da segunda Carta a Timóteo meditando um trecho comovente que é considerado como um testamento de São Paulo. Nele, o apóstolo fala de sua vida como oferta a Deus, mencionando as dificuldades que superou, por graça de Deus, e colocando-se em atitude de serena espera do término de sua missão. São Paulo demonstra uma atitude muito diferente daquela do fariseu da parábola. Ele proclama: “o Senhor esteve ao meu lado e me deu forças; ele fez com que a mensagem fosse anunciada por mim...” (2 Tm 4,17). A confiança de S. Paulo não está nas obras que realizou, mas brota da sua fé no Senhor.

 

 

XXIX Domingo do Tempo Comum

Rezar Sempre!

20/10/2013
+ Dom Sergio da Rocha
Arcebispo de Brasília 
A Palavra de Deus nos leva a refletir sobre a oração. O Evangelho proclamado ressalta a necessidade da perseverança na oração. No início do texto, São Lucas explica que “Jesus contou aos discípulos uma parábola, para mostrar-lhes a necessidade de rezar sempre e nunca desistir” (Lc 18,1). A viúva que recorre ao juiz, com insistência, clamando por justiça, torna-se modelo da perseverança que se espera dos discípulos de Cristo na vida de oração. Além disso, destaca-se a resposta de Deus, que escuta a prece perseverante dos “que dia e noite gritam por ele” (Lc 18,7). A parábola se conclui com uma interrogação de Jesus, que nos faz pensar na importância da fé para a oração: “O Filho do homem, quando vier, será que ainda vai encontrar fé sobre a terra?” (Lc 18,8). A oração brota do coração e dos lábios de quem crê em Deus e, por isso, nele confia e espera.
O livro do Êxodo nos apresenta o exemplo de constância na oração deixado por Moisés. Moisés intercede pelo povo que passava por grande dificuldade no caminho para a nova terra, pois estava sendo atacado por inimigos. As mãos de Moisés levantadas em oração eram condição para obterem a vitória. “Enquanto Moisés conservava a mão levantada, Israel vencia” (Ex 17,11). Quando ele não conseguia mais conservar as mãos erguidas, foram ajudá-lo a permanecer em oração. Quando necessário, nós também devemos nos ajudar a permanecer com as mãos levantadas em oração, a fim de que ninguém desista de rezar.
A Igreja tem nos convidado a fazer a leitura orante da Bíblia. Encontramos na Bíblia uma fonte preciosa de oração pessoal e comunitária. Além disso, a verdadeira oração é acompanhada da vivência da Palavra de Deus. A segunda Carta de São Paulo a Timóteo destaca a importância da Sagrada Escritura. Ela tem “o poder de comunicar a sabedoria”, sendo “útil para ensinar, para argumentar, para corrigir e para educar na justiça” (2Tm 3,15-16). Por isso, a Palavra deve ser proclamada com insistência.
Neste espírito de oração confiante e perseverante, nós rezamos o Salmo 120, afirmando: “Do Senhor é que me vem o meu socorro, do Senhor que fez o céu e fez a terra”.  
Neste Dia Mundial das Missões, rezemos pelos missionários presentes no mundo inteiro. Rezemos, de modo, especial, pela Missão da Arquidiocese de Brasília em Roraima. Como sinal de comunhão e apoio aos missionários, realiza-se hoje, em todo o mundo, a coleta para as Missões. Rezemos e participemos da coleta missionária! 

 

 

XXVIII Domingo do Tempo Comum

Fé e Gratidão

13/10/2013
+ Dom Sergio da Rocha
Arcebispo de Brasília  

É difícil resumir a imensa riqueza da Palavra proclamada, mas é sempre muito importante guardar e procurar viver o melhor possível o que Deus nos fala. Na Liturgia de hoje, três pontos se destacam: a atitude dos leprosos, a resposta divina e as consequências da cura alcançada.
   
Em primeiro lugar, temos a atitude dos dez leprosos apresentados pelo Evangelho e do sírio Naamã, conforme a primeira leitura. Eles buscam a Deus!  “Jesus, mestre, tem compaixão de nós!” (Lc 17,13) é o grito que os dez dirigem a Jesus. A cura de Naamã, no tempo do profeta Eliseu, é também um forte sinal da busca sincera por Deus da parte daquele homem. Em ambos os casos, o poder de Deus se manifesta, mas a atitude de fé é fundamental. A narrativa do Evangelho se conclui com a palavra de Jesus àquele que retornou para agradecer: “Levanta-te e vai! Tua fé te salvou” (Lc 17,19). O Evangelho segundo S. Lucas apresenta este samaritano como modelo de fé, de gratidão e louvor, tendo já apresentado outro samaritano como modelo de caridade. Semelhante testemunho de fé é destacado na figura de outro estrangeiro, Naamã, o sírio. Os textos meditados ressaltam a gratidão, como consequência da fé e do reconhecimento da ação de Deus. Naamã insiste em retribuir a Eliseu o grande bem recebido. O homem que retornou para agradecer Jesus é elogiado.
   
A resposta divina encontra-se no centro da narrativa. A cura é sinal do poder de Deus e de sua compaixão, oferecendo a salvação a todos e manifestando o seu amor na vida dos que mais sofrem. O sírio e o os outros homens eram todos hansenianos e, ao menos dois deles, estrangeiros, condições que tornavam a sua vida sofrida demais. O leproso era considerado impuro, obrigado a viver isolado, fora da cidade, mantendo sempre distância das pessoas. A condição de samaritano e demais estrangeiros tornava ainda pior a situação, pois a tendência era não ter contato com eles por não pertencerem ao povo eleito, nem observarem a lei mosaica. Entretanto, Deus oferece a todos o seu amor e a sua salvação, conforme rezamos no refrão do salmo 97: “O Senhor fez conhecer a salvação e as nações revelou sua justiça”.
  
Por fim, são ressaltadas as consequências da cura alcançada.  Naamã declara que não ofereceria mais sacrifícios a outros deuses, mas somente ao Senhor (2Rs 5,17). O samaritano glorifica a Deus, prostra-se diante de Jesus com fé e gratidão, alcançando a graça de ser salvo. S. Lucas destaca que os dez foram curados, mas que o samaritano foi salvo pela fé em Cristo.
  
Nós também glorificamos a Deus, recorrendo ao belo hino da segunda carta de S. Paulo a Timóteo, que nos motiva a viver na fidelidade a Cristo.

 

 

XXVII Domingo do Tempo Comum

Aumenta a Nossa Fé

06/10/2013
+ Dom Sergio da Rocha
Arcebispo de Brasília

O Evangelho proclamado se inicia com um pedido dos apóstolos a Jesus, de especial importância para nós, neste Ano da Fé: "Aumenta a nossa fé!" (Lc 17, 5). Diante dos desafios do mundo atual e da nossa fragilidade, nos sentimos necessitados de repetir, com os apóstolos: "Aumenta a nossa fé!". Nossa fé necessita crescer, purificar-se, fortalecer-se e amadurecer. O Ano da Fé nos motiva a dar maior atenção à fé professada (o Creio), a fé celebrada (a Liturgia), a fé vivida (a Moral) e a fé rezada (a Oração), que se encontram interligadas. Com a luz da Palavra de Deus, na Bíblia, e com o auxílio do Catecismo da Igreja Católica, somos convidados a conhecer melhor os conteúdos fundamentais da fé, a celebrar melhor a fé e a viver o que celebramos. O texto de S. Lucas se conclui com uma afirmação de Jesus que nos pensar na necessidade de vivencia da fé no dia a dia, a fim de poder dizer: "Somos servos inúteis; fizemos o que devíamos fazer" (Lc 17,10).  Para isso, é fundamental a atitude permanente de servo–discípulo que procura sempre fazer a vontade do Senhor com fidelidade e humildade. Além disso, pedir a Jesus pelo aumento da fé significa reconhecer humildemente que a fé é dom de Deus e se sustenta pela graça de Deus.    A fé é sempre muito necessária, especialmente para superar os graves problemas presentes no mundo. Na primeira leitura, o profeta Habacuc interpela Deus, esperando a sua intervenção para por fim a violência, a maldade e a discórdia. Em resposta, Deus suscita a esperança e a certeza de que não falhará, advertindo para a consequência da iniquidade, que é a morte, e proclamando que "o justo viverá por sua fé" (Hab 1,4).

A fé deve animar a todos que se colocam a serviço da Igreja, especialmente, os ministros ordenados, conforme nos dá a entender as palavras de São Paulo a Timóteo, na segunda leitura. É preciso viver da fé e da fidelidade, guardando o "precioso depósito" em "matéria de fé e de amor em Cristo Jesus" (2Tm 1,13-14).
+ Sergio da Rocha
Arcebispo de Brasília

Neste Mês Missionário, é necessário recordar que todos, segundo a vocação recebida, devem participar da missão de transmitir a fé, através das palavras e do testemunho de vida. É preciso compartilhar o dom da fé no dia a dia. Ajude alguém a descobrir a beleza e o vigor da fé em Cristo. Rezemos pelos missionários! Sejamos missionários!

No próximo sábado, estaremos celebrando a festa da Padroeira da Arquidiocese de Brasília e de todo o Brasil, Nossa Senhora Aparecida. Participe da missa e da procissão na Esplanada dos Ministérios, às 17 h. Vamos todos, unidos, celebrar e testemunhar publicamente a nossa fé, contando com a intercessão e o exemplo de Nossa Senhora!


Compartilhar

Por: Sistema Blogger Brasília de Comunicação

0 comentários:

Postar um comentário